A gestão ambiental em hospitais e clínicas deixou de ser apenas uma prática complementar para se consolidar como parte integrante das estratégias de qualidade, segurança e sustentabilidade no setor da saúde. Os serviços de saúde são grandes geradores de resíduos e consumidores intensivos de energia e água, o que reforça a necessidade de adoção de práticas ambientalmente responsáveis que minimizem impactos negativos e promovam eficiência operacional. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (2024), cerca de um terço das unidades de saúde no mundo ainda não possui sistemas básicos de gestão de resíduos, evidenciando a urgência de implantação de protocolos consistentes e sustentáveis.
A segregação correta dos resíduos hospitalares no ponto de geração constitui a primeira etapa para garantir um gerenciamento eficaz e seguro. A reciclagem de materiais limpos, a redução do uso de embalagens descartáveis e a implementação de contratos que priorizem fornecedores com práticas sustentáveis são medidas que podem ser aplicadas de forma direta na rotina hospitalar. Essas estratégias não apenas reduzem riscos biológicos e químicos, como também geram benefícios econômicos, melhorando a imagem institucional e fortalecendo a responsabilidade social do hospital (FERREIRA et al., 2024).
Outro aspecto relevante está relacionado ao consumo energético. Hospitais são ambientes de alta demanda energética devido à climatização, sistemas de iluminação e equipamentos de suporte à vida. Investir em monitoramento do consumo, modernização de sistemas de climatização, substituição por lâmpadas LED, automação predial e aquisição de equipamentos mais eficientes são medidas com elevado potencial de retorno. Revisões sistemáticas demonstram que iniciativas de eficiência energética em instituições de saúde resultam em significativa economia de recursos e redução da emissão de gases de efeito estufa, sem comprometer a qualidade assistencial (PSILLAKI et al., 2023).
Na prática hospitalar, programas de educação permanente para profissionais de saúde desempenham papel essencial. Enfermeiros, médicos e equipes de apoio estão diretamente envolvidos nos processos de consumo e descarte, o que os torna atores fundamentais na consolidação de uma cultura ambiental. Estudos apontam que a capacitação contínua e a supervisão constante contribuem para adesão às práticas de sustentabilidade e para a minimização do desperdício (FERREIRA et al., 2024). A adoção de recipientes reutilizáveis esterilizáveis em centros cirúrgicos, por exemplo, quando associada a protocolos rígidos de biossegurança, é uma estratégia viável e segura.
Apesar dos avanços, ainda existem barreiras significativas. Entre elas, destacam-se a falta de normatização homogênea, limitações financeiras, infraestrutura inadequada e lacunas na formação profissional. Autores como Quttainah e Singh (2024) apontam que a superação desses desafios exige integração entre políticas internas, investimentos estratégicos e parcerias com prestadores especializados em tratamento de resíduos e logística reversa. O estabelecimento de indicadores de desempenho ambiental e a criação de fundos verdes internos são ferramentas que têm demonstrado impacto positivo em instituições de saúde (PRACTICE GREENHEALTH, 2023).
Portanto, a gestão ambiental em hospitais e clínicas deve ser compreendida como parte do planejamento estratégico institucional. Mais do que um requisito legal, trata-se de uma responsabilidade ética que envolve pacientes, profissionais, gestores e a comunidade. Para futuros gestores hospitalares, o desafio está em integrar práticas sustentáveis ao cotidiano organizacional, garantindo que saúde e sustentabilidade caminhem de forma conjunta e indissociável.
Referências Bibliográficas
FERREIRA, Maria José Carvalho; VENTURA, Carla Aparecida Arena; VALADARES, Glaucia Valente et al. Healthcare Waste Management: connections with sustainable nursing care. Rev. Esc. Enferm. USP, São Paulo, v.58, e20230229, 2024. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC11533972/. Acesso em: 01 set. 2025.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Health-care waste. Fact sheet, 2024. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/health-care-waste. Acesso em: 01 set. 2025.
PSILLAKI, Maria; APOSTOLOPOULOS, Nikolaos; MAKRIS, Ilias et al. Hospitals’ Energy Efficiency in the Perspective of Saving Resources and Providing Quality Services through Technological Options: A Systematic Literature Review. Energies, v.16, n.2, art.755, 2023. DOI: 10.3390/en16020755.
QUTTAINAH, Majdi Anwar; SINGH, Priya. Barriers to Sustainable Healthcare Waste Management: A Grey Method Approach for Barrier Ranking. Sustainability, v.16, n.24, art.11285, 2024. DOI: 10.3390/su162411285.
PRACTICE GREENHEALTH. 2023 sustainability data (relatório com dados de 2022). Disponível em: https://practicegreenhealth.org/tools-and-resources/2023-sustainability-data. Acesso em: 01 set. 2025.
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